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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Amantes, poderiam fazer casamentos dar certo?

Tal como os padrinhos de casamento, será que a figura do(a) amante poderia também ser elegível nos matrimónios?

Face ao número de divórcios nos dias de hoje e facilidade de traição à distância de um clique, será que seria tonto demais pensar na possibilidade de casar já com amante pré-definido?

Será que assim não se evitaria desconfianças, histórias mal contadas e talvez pudesse até reduzir os números da violência doméstica?

Porque não eventualmente o seguinte?

Sim, ambos temos amante, disponibilizamos algum tempo das nossas vidas com essa pessoa e está tudo bem. Vamos dar importância ao que importa, a estrutura familiar e objetivos em comum.”


O/A amante seria considerado terapia obrigatória extraconjugal.

Será que daria certo?

Repara-se que são precisamente os homens casados que têm maior obstinação na procura de mulheres nas redes sociais, percebe-se que instintivamente são mais propensos a trair, o que não quer dizer que traiam mais, porque se os homens traem muito, é porque do outro lado encontram quem se disponibiliza para as traições.

(Pode-se pensar que se trata de uma para dez, mas há o clássico das mulheres todas babadas que vão ter com o professor de ginástica no final das aulas de grupo.)



Morremos de medo que alguém nos possa trair mas a própria vida nos traí tantas vezes e não é por isso que vamos perseguir alguém para pagar pela nossa perda/trauma.


Esta proposta de ideia seria para evitar traições maiores. Pois prevê que, embora houvesse outra pessoa na vida dos cônjuges, os cônjuges não seriam descartados nem espoliados em troca dessa pessoa. 

Esta proposta assume que ao final do dia os cônjuges sempre regressam ao seu lar para junto das suas coisas e dos seus.


Culturalmente a humanidade já ultrapassou os tempos dos duelos de sangue em nome da honra, será que os casais não poderiam também começar a ter consciência da individualidade do cônjuge e perceber que muitas vezes humanamente talvez fosse até saudável as pessoas terem espaço para poderem estar com outro alguém?

  

Imaginem comer a vossa comida favorita com a obrigatoriedade de ser todos os dias para toda a vida como se fosse um casamento? 

Talvez um dia em que pusessem à vossa frente uma comida não tão boa, provavelmente se lambuzariam como se fosse a melhor iguaria que alguma vez tivessem comido. 


Um cônjuge não morre se o outro morrer, e antigamente, não há muito tempo, quando a morte separava, culturalmente era socialmente quase obrigatório a eterna viuvez com roupas pretas.


Portanto, se os comportamento e costumes têm mudado tanto, e sendo que o caixão é uma peça individual e a morte é um processo exclusivamente solitário e privado, porque não reconhecer que também em vida há comportamentos individuais que poderiam e deveriam ser irrelevados e até respeitados tal como nas idas à casa-de-banho?

Como eventualmente funcionaria?

Antes do casamento, cada cônjuge teria que obrigatoriamente delegar alguém como seu amante e indicar previamente ao cartório matrimonial o nome dessa pessoa com a respectiva documentação e assinatura provando que essa pessoa aceitou.


Iria também ser exigido participação em algumas sessões psicológicas individuais e em conjunto para salvaguardar a salubridade de ambas as decisões, tanto a do casamento como do amantizado.

Sem o cartório registar o(a) amante, o casamento não se realizaria.


O registo do(a) amante ficaria anónimo e jamais divulgado pela entidade notarial.

A obrigatoriedade de anonimato teria como objectivo não criar desconforto entre o casal e familiares no âmbito do “teu amante é melhor que o meu”.

(Se mais tarde descobrirem ou quiserem revelar a identidade da pessoa já seria responsabilidade do casal desde que não gerasse episódios de ciúmes, perseguição ou qualquer tipo de transtorno na vida pessoal do(a) amante. 

Caso acontecesse, o(a) amante poderia exigir compensação financeira e em casos graves requerer até a anulação do casamento.)


Quem seria o(a) amante?

Tal como num pedido de casamento, teria que haver também um pedido de amantizado.

  1. Nas anteriormente mencionadas sessões de terapia, iria haver consciencialização que amantes são isso mesmo, amantes. E tal como nos casamentos, com reconhecimento e legitimidade de vida sexual entre ambos. 

  2. Esta consciencialização seria para não se cair numa decisão adolescente e ir pedir amantizado ao(à) melhor amiguinho(a). Pois na vida adulta sempre surgem outros desígnios e vontades e há aqueles amigos(as) que são muito amigos(as) mas jamais teríamos apetência sexual por eles e poderia até estragar a amizade. 

(O/A amigo(a) que fosse convidado para padrinho/madrinha, não para amante.)

O/A amante seria apenas um(a) “ficante” sem elegibilidade para projectos de vida.

  1. Não haveria compra de bens patrimoniais em conjunto.

  2. Não haveria autorização de gastos lesivos para o(a) legítimo(a) esposo(a). Por exemplo, a viagem de sonho teria sempre ser com o cônjuge.

Não haveria autorização de reprodução. 

  1. Em caso de nascimento de bastardos, o casamento seria anulado e haveria penalização na partilha de bens para os progenitores em favor do legítimo esposo(a) a determinar por um juiz. 

  2. Se quisessem, em comum acordo, poderiam voltar a casar, mas o cônjuge não progenitor teria de assumir responsabilidade com obrigações e direitos iguais aos dos progenitores na guarda partilhada do agora enteado.

Para não haver um que trairia mais ou menos, cada cônjuge teria que obrigatoriamente disponibilizar um ao outro tempo para estar com o(a) respectivo(a) amante. 

  1. No mínimo uma tarde por mês, para fazer o que bem entendessem: passear, almoçar, cinema ou mesmo envolvência afectiva.

  2. Seria também obrigatório pelo menos uma vez por ano passarem um fim-de-semana juntos.

  3. Isto seriam os mínimos, mas poderia ser muito mais desde que não afectasse o tempo para a legítima família. Por exemplo, não haveria noitadas fora de casa e a chegada a casa seria sempre a horas decentes para o jantar. Nas folgas/fim-de-semana, no máximo até à meia noite.




FAQ’s

E se os cônjuges se quisessem divorciar, como funcionaria?

Da mesma forma que acontece agora.  Esta medida não impediria os divórcios, apenas tentaria combater o número de divórcios tentando consciencializar culturalmente os casais que a certa altura da vida conjugal alguém vai querer estar com outro alguém sem fazer disso drama.

Em caso de divorcio, há também automaticamente o divorcio com o(a) amante? 

Não, embora o registo de amantizado seja obrigatório para casar, é um processo à parte.

Só seria possível pedir amantizado a alguém solteiro? Sim, porque alguém que seja casado já teve que registar amante na altura do casamento.

Sim, precisamente. 


Quer dizer que pode-se ser solteiro e ter amante?

Sim, e um dia que decidisse casar já não seria preciso andar a arranjar amante porque já haveria registo.


Então e se toda a gente quisesse só ser amante e nunca casar?

Não haveria vantagem em relação a ser-se solteiro. Solteiros podem namorar eternamente desde que não se juntem na mesma morada.


Seria possível trocar de amante?

Sim, desde que seja anunciado aos registos notariais essa troca. Mas iriam ser exigidos exames psicológicos e respectiva terapia conjunta para salvaguardar a salubridade na decisão.


Seria possível ter mais do que um(a) amante ou multi-amantes?

Sim, mas qualquer novo relacionamento extra terá sempre que ficar registado em notário. Novamente, iriam ser exigidos exames psicológicos e respectiva terapia conjunta para salvaguardar a salubridade da decisão e certeza que não iria prejudicar os actuais relacionamentos.


O cônjuge e o amante iriam a ficar a saber desses relacionamentos extra?

Não, seria um processo individual e anónimo mas ao início seria obrigatório a avaliação psicológica para se ter a certeza que não iria afectar especialmente as obrigações familiares com o(a) cônjuge.


E como iria ser distribuído esse tempo com um(a) amante extra?

Ficaria ao critério do requerente de novo(a) extra amante desde que não afecte o tempo para a família com o(a) cônjuge.


E o amante original, poderia reclamar falta de tempo para si?

Sim, pode exigir tempo para si e se não for concedido pode pedir a anulação da condição de amante e o casamento será anulado caso não seja apresentado novo(a) amante em período de tempo a determinar consoante os anos de casados. 


Seria possível envolvimento social de amizade e quem sabe afectivo entre os cônjuges legítimos e amantes?

Sim, desde que anunciado às autoridades notariais abrindo um processo de acompanhamento psicológico obrigatório.

Uma situação destas requer muita maturidade e só um profissional poderia carimbar aptidão para esses relacionamentos. Caso esses relacionamentos viessem a gerar distúrbios e conflitos passionais seriam aplicadas avultadas coimas aos envolvidos e anulação dos registos de amantizado, e claro, de casamento.


Não quero registar nada, quero ter os meus relacionamentos extra às escondidas.

Ou é-se eternamente solteiro(a) e não se junta com ninguém ou funcionaria como funciona hoje os processos rendimentos não declarados, em caso de se ser apanhado pode envolver pesadas multas e caso essas multas lesam gravemente o orçamento familiar com o cônjuge, pode ser exigido horas de trabalho social ou em casos graves até mesmo prisão. 


É possível ter um(a) extra amante de forma pontual numa noite de Verão? 

Sim, manter-se-ia a forma actual. Um “caso” ao acaso de forma ocasional pode fazer parte da própria dinâmica vida. No entanto, se passar a relacionamento com encontros rotineiros, já seria necessário registar como amante.


E se nascesse um bebé desse relacionamento pontual?
O mesmo que hoje, ou a mãe constituiria o que é hoje um modelo de família monoparental ou então, através de teste de ADN, chamaria o pai à responsabilidade com todos os deveres/obrigações e direitos.


E se ambos ou algum deles fosse casado com respectivo amante associado, o que iria acontecer?

O(a) cônjuge obviamente iria acabar por ter conhecimento, até porque iria influenciar o orçamento familiar, e tal como acontece nos dias de hoje, decidiria se continuaria com o casamento ou se pediria o divorcio.

Relativamente ao(à) amante, não iria ser obrigatório revelar-lhes esta situação porque o(a) mesmo(a) não tem obrigações familiares, mas muito provavelmente viria algum dia a saber e certamente poderia até pedir anulação da sua condição de amante.


E um casal de namoradinhos que não estão casados e a moça engravida?

Se não quiserem casar, ficam na condição de monoparentalidade. Mas se um dia quiserem constituir família o(a) futuro(a) cônjuge e o respectivo(a) amante provavelmente saberão da situação.


Moro com uma pessoa e temos filhos em conjunto mas nunca casamos, também temos que registar amante?

Sim, tal como hoje, vida em agregado, mesmo que não estejam casados, os direitos e obrigações perante o Estado são iguais aos do casamento.


Não concebo a opção de no meu casamento ter de anunciar nome de amantes.

Basta entrar com um processo de objector de consciência religiosa com provas reconhecidas e validação do líder espiritual.


Casei anunciando amante mas não me dei bem com ele(a) e não estou na disposição para andar a arranjar novos amantes, mesmo assim seria obrigatório continuar a usar daquele tempo para passar com o(a) amante sendo que na realidade não vou ter com ele(a)?

O/A amante pode não aceitar e pedir anulação da sua condição de amante, mas se este(a) não se importar, embora esse tempo continue a ser obrigatório usar, pode ser usado só para nós próprios sozinhos ou com amigos.


Alternativa a tudo isto?

Os casais que não se juntem nem se casem. Que morem sozinhos cada um em moradas diferentes. Mas se tiverem mais do que um filho entre eles, aí já não é considerada a monoparentalidade e passa a ser considerado uma família e já terão que cumprir as regras iguais às do casamento.



NOTA 1: 

Tive conhecimento de um casal que combinou entre eles que poderiam ter encontros com outras pessoas mas com a condição que fosse uma única vez com aquela pessoa para não se envolverem sentimentalmente. 

Não sei se ainda hoje estão juntos, mas será que daria certo? 

Na minha opinião não porque a maioria das paixões, ou não, surge quase sempre no primeiro encontro.

NOTA 2: 

Este é um texto lúdico de mero exercício extra dimensional, eu autor, não me agrada a ideia de viver num mundo em que já não há amor para a vida toda e facilmente as pessoas são descartadas. Mas para minimizar esse flagelo, provavelmente um dia no futuro tudo isto que foi escrito neste texto pode eventualmente fazer sentido.